O luto do fim de um relacionamento é doloroso.
Tal como todo luto, na verdade.
Mas é ainda mais intenso quando você tem transtorno de ansiedade.
A sensação de não conseguir respirar, de tentar puxar o ar e ele não vir é desesperadora.
E é ela que aparece a cada momento que eu me deixo parar e pensar.
Diferente do que as pessoas possam achar, não é porque a decisão de encerrar partiu de você que vai ser mais fácil. Ainda mais quando você não deixou de amar a pessoa, só decidiu que não vai mais lidar com todas as coisas que te incomodam ou fazem mal na relação.
Por vezes eu me vi calando apenas para não correr o risco de ser "abandonada", de incomodar, de que ele decidisse ir embora e me deixasse...
Acontece que, na maior parte do tempo, eu já estava sozinha.
É estranho, agora, pensar que fiz tantos planos, criei tantas expectativas, quis construir uma família...
Quando na verdade ele nunca me incluiu na vida dele. Nunca me apresentou aos amigos, a família...
Por um tempo eu quis fazer da mesma forma. Fingir que aquela relação não era séria e não apresentar minha família também...
Afinal, deveriam ser "direitos iguais", certo?
Mas essa foi só mais uma das coisas que eu fiz e que fez com que eu me afastasse de quem realmente sou.
Não sou a pessoa que esconde uma relação. Eu sou a pessoa das declarações públicas de afeto, de tentar me encaixar na família, de mergulhar na vida da pessoa, principalmente, se a minha expectativa for de passar o resto da vida ao lado da pessoa.
Mas a sensação sempre foi de que só eu me importava com isso ou pensava nisso. Para a outra parte isso não fazia diferença. Era até melhor nem ter nada público por várias questões...
Bem como, me vi na posição de começar a cobrar que as coisas mudassem...
Passei a estar menos na posição da pessoa que tem uma relação tranquila, que consegue viver um dia após o outro e passei a ser a pessoa chata que cobra afeto, presença, decisão de fazer parte da vida, de construir um futuro.
Me senti escondida, um segredo que ninguém poderia saber. Ninguém de importante, ninguém que realmente fazia diferença na vida dele.
E, enquanto era escondida, guardava dentro de mim todas as expectativas, sonhos e planos que queria construir. Se até pra oficializar que a relação era um namoro eu tive que cobrar... Imagina como seria para virar um noivado, casamento...
Enquanto isso, estava eu no mundo da fantasia olhando alianças de noivado, casas que pudessem comportar a nova vida que, claro, iria começar (só nos meus sonhos, né?!).
Olhando agora para trás eu percebo o tanto de coisas que relevei e deixei de lado pra permanecer na relação. O quanto passei por cima do meu próprio orgulho...
O quanto fingi não enxergar várias coisas que eram tão "estranhas". Eu era bloqueada até no Facebook da pessoa, não é possível que tenha achado isso normal.
Mas insisti. Tentei até o meu limite e além dele. Até começar a perceber e voltar a lembrar de cada uma das bandeiras de atenção. Cada uma das coisas incompatíveis. Cada uma das decepções que aconteceram ao longo do tempo.
Veja bem, não estou dizendo que não houveram bons momentos. Tiveram vários. Se eles não existissem eu jamais teria feito tantos planos ou permanecido por tanto tempo.
Mas a que custo?
O quanto eu tive que relevar ou fingir não me incomodar pra continuar ali?
Hoje eu ainda me pego chorando em alguns momentos.
Mas eu sei que com o tempo as coisas vão se acalmar dentro de mim.
Racionalmente eu já entendi que não era o meu lugar. E talvez nem o dele.
Mas ainda é difícil falar isso pro meu coração. E assim vai continuar sendo, até o dia que não for mais.